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Graduação em debate



A formação acadêmica no Brasil apresenta bons resultados, mas em alguns casos, é preciso aprofundar o ensino e fomentar a prática
 
A escolha de uma instituição de curso superior para realizar a graduação é um dos momentos mais importantes na vida de uma pessoa, seja ela recém-saída do ensino médio ou um trabalhador com anos de carreira, mas que deseja melhorar seu currículo, e até mesmo um profissional que, em busca de novas oportunidades, resolve adquirir uma segunda graduação.
 
No setor logístico isso não é diferente e as dúvidas são constantes no momento de decidir. Mas será que os cursos oferecidos hoje no Brasil cumprem com a missão de graduar de maneira efetiva e sólida os alunos?  Fomos perguntar para aqueles diretamente envolvidos na educação.
 
O professor engenheiro da Universidade Presbiteriana Mackenzie e presidente do Conselho de Logística Reversa do Brasil (CLRB), Paulo Roberto Leite, faz um breve histórico. Ele conta que os cursos de logística passaram a ser ministrados em graduação e pós-graduação na década de 1990, quando o Brasil abriu suas fronteiras e permitiu a entrada de operadores logísticos internacionais com experiência, que se instalam e determinam novas condições ao mercado. 
 
“A estabilização da moeda em 1994 certamente tem um papel importante, obrigando as empresas a prestarem mais atenção aos seus estoques. As privatizações de 1996 em comunicações, ferrovias e portos, entre outras iniciativas, favoreceram e obrigaram o mercado de educação a acompanhar essa nova e urgente necessidade”, lembra. 
 
Na opinião do professor, atualmente as instituições de ensino de renome têm apresentado bons resultados e professores à altura do ensino. No entanto, destaca, ainda existem muitas faculdades com pouca profundidade ou foco no que realmente é essencial. “É preciso verificar a idoneidade da instituição, seus professores e recursos pedagógicos”, aconselha.
 
O professor de graduação e pós-graduação do Mackenzie, Márcio Dias, avalia que os cursos de logística carecem de maior intensidade de exercícios práticos, em situações reais. Para ele, os professores também devem estar bem capacitados, inclusive com sólidas experiências em operações logísticas.
 
Já o professor da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec), que leciona nos campus Zona Leste e Carapicuíba, Roberto Ramos de Morais, é mais enfático. “Não conheço todos os cursos oferecidos no Brasil, mas considerando a pontuação do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), poucos são adequados, apresentando notas abaixo de 3. Creio ser necessário repensar a grade para contemplar as grandes mudanças tecnológicas pelas quais passamos”, define. O docente considera que é preciso avaliar a qualidade do curso, os objetivos descritos no projeto pedagógico e a reputação junto ao mercado.
 
Os cursos realizados sem a presença física do discente também são alvo de questionamentos. Mas o coordenador do curso técnico de Logística do Senac EAD, Giancarlo Giacomelli, garante que a educação a distância amadureceu muito nos últimos anos e  hoje a maior parte desses cursos tem a mesma qualidade dos presenciais. Especificamente para a área de logística, o EAD, segundo o coordenador, mostra-se importante, pois os profissionais que já atuam na área costumam ter uma rotina de trabalho difícil de conciliar com atividades regulares de ensino. Dessa forma, a modalidade atende à necessidade de flexibilidade por parte dos profissionais da logística.
 
A escolha da instituição, na opinião de Giacomelli, é um diferencial. “Normalmente as empresas não conhecem os candidatos, então optar por uma instituição conhecida ajuda o empregador a formar uma opinião positiva sobre o profissional”, considera. 
 
Composição dos cursos
 
As grades e as cargas horárias são definidas por cada instituição de forma independente. De acordo com Leite, do Mackenzie, atualmente há disciplinas de logística em todos os cursos de Administração e Comércio Exterior, assim como na maior parte dos cursos de Engenharia. As disciplinas são normalmente semestrais e, em alguns casos, anuais. Na pós-graduação a maior parte das instituições universitárias oferecem cursos de especialização, normalmente com duração de 360 horas aula. 
 
O docente conta que uma grade normal, com cursos de durações diferentes, aborda necessariamente uma visão geral –, Supply Chain Management, Gestão de Estoques, Gestão de Transporte, Distribuição Fisica, Gestão de Armazéns, Sistemas de Informação Logística, Logística Reversa e Logística Internacional. Já os cursos de especialização em nível de pós-graduação é comum apresentarem, entre outras, disciplinas complementares, como Marketing, Relações Humanas e Custos Básicos.
 
A Fatec, que oferece o curso de Tecnologia em Logística, de nível superior e com duração de três anos, tem em sua grade disciplinas básicas, como Comunicação, Cálculo, Matemática Financeira, Estatística, Administração, Marketing e Contabilidade. Já nas disciplinas técnicas o discente cursa Movimentação e Armazenagem, Modalidade e Multimodalidade, Gestão de Estoques, Gestão de Produção e Operações, Gestão da Cadeia de Suprimentos, Gestão da Qualidade, Rotas e Comércio Internacional. Há, ainda, as disciplinas de melhoria e otimização, como Pesquisa Operacional, Métodos Quantitativos e Simulação.
 
Morais garante que a Fatec reavalia constantemente a grade, buscando modernizá-la e adequá-la às mudanças tecnológicas, econômicas e sociais. A iniciativa visa atender aos diferentes públicos. “Há alunos que vêm diretamente do ensino médio, sem experiência profissional, mas tem também uma parcela significativa de profissionais que já atuam no mercado e buscam formação e aperfeiçoamento”, frisa.
 
No Senac, há toda uma trajetória de formação para os profissionais que atuam com logística, indo desde cursos de curta duração com temas específicos, como Processos Logísticos de Estoque e Compras, passando pelo curso Técnico em Logística, até a pós-graduação em Logística Empresarial.
 
O curso de nível técnico se inicia com questões fundamentais relacionadas às operações dos estoques, como procedimentos de recebimento, conferência e controle. Então avança para a gestão, como realização de compras, identificação de estoques de segurança e ponto de pedido, e segue até o planejamento logístico, que contempla a gestão de transporte e logística reversa.
 
 Os cursos livres têm durações menores, alguns com menos de 30 dias. Já os cursos que dão formação técnica têm 800 horas, normalmente realizadas em três semestres. A formação de nível médio tem foco na profissionalização, para atuação prática do profissional, por isso sua duração é relativamente menor que as graduações. “O objetivo é capacitar o aluno para atuar na sua área”, afirma Giacomelli.
 
Fatec: (11) 3322-2200
Mackenzie: (11) 2114-8000
Senac: (11) 5682-7441
Conheça a
Tecnologística
Rua Aureliano Guimarães, 172, cj.604 – 05727-160 – São Paulo/SP – Tel.: 11 5504-0999
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